O que Frozen nos Ensina sobre o Medo

Tempo de leitura: 9 minutos

Alguns dias atrás eu estava com o meu filho mais velho fazendo uma sessão “cineminha” e assistíamos “Frozen – Uma Aventura Congelante”, é impressionante como um filme voltado para crianças fale tanto aos adultos também. Isso sem dúvida justifica o porquê o filme fez tanto sucesso desde sua estreia em 2014, o filme definitivamente toca a todos (adultos e crianças) com suas cenas engraçadas, músicas marcantes e personagens que tem muito a nos ensinar.

Caso você ainda não tenha visto o filme, é muito, mas muito provável que você já tenha escutado a principal música da trilha sonora do filme, “Let It Go” ou “Livre Estou” em português.

Apesar da música grudar em nossos ouvidos e ficar repetindo em nossa cabeça como um disco riscado eu a considero um hino de encorajamento contra o medo. Uma das personagens principais, a princesa Elsa, que é a porta voz dessa mensagem, tenta esconder de todos o seu verdadeiro eu para não ter que enfrentar seus medos, o que no fim, se prova inútil.

Não vou ficar aqui explicando a história inteira, mas a princesa Elsa é dotada desde criança de uma espécie de “magia congelante”,  magia essa reprimida por seus pais depois de ter acontecido um acidente que acabou machucando (sem querer) sua irmã, a princesa Ana. Por conta disso, seus pais com medo do possível não controle da magia por parte da sua filha Elsa, determinam que ela deva viver isolada do mundo, o que a fez ela pensar que era uma pessoa extremamente perigosa. Mesmo sentindo muita falta da irmã, o medo de machucá-la novamente foi maior que tudo e a aprisionou.

Esse medo existente se arrasta e se potencializa até a fase adulta da Elsa, ela acaba se isolando mais ainda e constrói um castelo de gelo nas montanhas, onde finalmente se vê livre e busca se compreender, mas continua sendo atingida pela solidão e pela frieza.

O medo de Elsa é plenamente racional e explicável, e não tem origem nela mesma, mas sim em seus pais, que a induziram a acreditar que seus poderes eram algo do mal. Se desde o começo eles tentassem descobrir juntos uma maneira de lidar com a magia, com os medos ao invés de escondê-la, muito sofrimento teria sido evitado.

O medo faz escolhas onde o risco é menor

Pois bem, foi justamente ai que me veio à pergunta?

Quantas vezes por medo, simplesmente congelamos, nos isolamos, não deixamos de fazer o que tem que ser feito, adiamos nossas vidas?

Muitas vezes o medo é como o gelo, nos traz frieza, nos endurece e paralisa.

Você já se viu em uma situação como essa onde o medo simplesmente te dominou, te congelou, te impediu de seguir em frente? Quantas oportunidades, conhecimentos e realizações teriam acontecido se você não tivesse simplesmente congelado?  Por quanto tempo mais isso acontecerá?

Por isso resolvi escrever esse texto sobre o medo, para que ele serve, e o quanto ele ajuda ou atrapalha nossas vidas. Mas antes é importante termos bem definido o que é o MEDO:

Medo é um estado emocional que surge em resposta a consciência perante uma situação de eventual perigo

A ideia de que algo ou alguma coisa possa ameaçar a segurança ou a vida de alguém,faz com que o cérebro ative, involuntariamente, uma série de compostos químicos que provocam reações que caracterizam o medo.

O aumento do batimento cardíaco, a aceleração da respiração e a contração muscular são algumas das características físicas desencadeadas pelo medo.

O medo é uma sensação de alerta de extrema importância para a sobrevivência das espécies, principalmente para o ser humano, considero esse tipo de medo “um medo positivo”, pois, ele se manifesta no sentido de preservação e sobrevivência , por exemplo, em sã consciência não iremos encostar em um cabo de alta tensão, pois temos medo de levar um choque que poderia ser fatal. Não vou pular de uma altura muito grande, pois tenho medo de me machucar etc…

Inconscientemente, as características físicas reproduzidas pelo sentimento de medo preparam o corpo para duas prováveis reações naturais: o confronto ou a fuga.

Normalmente, para surgir o medo é necessário a presença de um estímulo que provoque ansiedade e insegurança no indivíduo. Porém, em determinadas situações, o medo pode se desencadear apenas a partir da ideia em relação a algo que seja desagradável.

Nos seres humanos o medo também pode ser provocado por razões sem fundamento ou lógica racional, quando estão baseados em crenças populares ou lendas. O medo de fantasmas é um exemplo.  Esse tipo de medo considero os “negativos”, pois muita vezes justamente por não queremos ou conseguirmos confronta-los simplesmente nos tronamos reféns de nos mesmos e de nossas próprias situações.

medo

Existem diferentes tipos e níveis de medo, que pode ir desde uma ligeira ansiedade ou desconforto até o pavor total. As respostas do organismo também se apresentam de diferentes modos de acordo com a intensidade do medo.

Quando o medo passa a ser patológico, ou seja, quando afeta profundamente um indivíduo a nível físico, psicológico e social, os psicólogos podem diagnosticar a pessoa como portadora de uma fobia.

Fato é que o medo é um sentimento interno e intenso difícil de descrever, mas fácil de sentir.  É difícil entendermos as causas de nossos medos, mais difícil ainda e conseguir raciocinar no meio de uma crise medo, por exemplo, não adianta nada pedir para alguém raciocinar quando está com vertigem por causa da altura.  É justamente por esse motivo que é extremamente importante refletir sobre os nossos medos, porque eles são uma parte fundamental de quem somos e de quem desejamos ser.

Entretanto na velocidade em que as coisas acontecem em nosso dia a dia, não nos resta muito tempo para analisar nossas escolhas. Mas a verdade é que a essência de quem somos faz parte de um processo muito antigo e envolve questões que superam nossa realidade individual. Fomos e continuamos sendo construídos aos poucos – quem somos, depende muito do lugar onde nascemos, do nome e status que ganhamos, das pessoas com quem nos relacionamos, enfim, de tudo que de alguma maneira nos influencia.

O importante é com calma perceber que alguns medos e crenças podem ser desconstruídos. Não estou dizendo que isso será fácil: infelizmente, não é porque necessariamente compreendemos algo que nossos sentimentos mudam. Mas acredito que analisar um medo é um bom começo para aliviar a pressão que ele exerce em nós e, principalmente, por que é uma excelente maneira de se conhecer melhor. No final das contas alguns medos são, na verdade, hábitos.

Por exemplo, quem tem muito medo de falar em público, se quiser, pode mudar isso com um pouco de paciência, tempo, treinamento e tentativas.

Repito não estou dizendo aqui que será a coisa mais tranquila do mundo, é bem provável que a mão vai suar e o peito acelerar, mas o importante é enfrentar o seu medo e tentar até que se torne algo difícil, mas não mais impossível; até que você construa o hábito e torne o que era difícil em quiçá algo fácil.

O medo é algo intrigante, quanto mais nos aproximamos e o conhecemos  menor em tamanho ele fica

Às vezes temos medo de algo só porque não é comum a realidade. O que não é conhecido assusta, e assusta muito, mas só tem uma maneira de superar isso: Sabe qual é? Conhecendo.  Algumas experiências são simplesmente aterrorizantes, porque não sabemos o que fazer ou o que pode acontecer, ai simplesmente criamos suposições e mil conspirações de ansiedade do que “pode acontecer” e junto de tudo isso repousa o medo.

O que digo sempre é :

O fato é fato e tudo é o significado que damos para ele

Você já pensou que justamente o “não saber” não é necessariamente ruim, pode ser algo legal e emocionante ?!

Um exemplo é a primeira vez que beijamos alguém: mesmo que não seja o primeiro beijo da sua vida, lá vem o medo te aterrorizando de que tudo pode acontecer. Não se permitir ao desconhecido é deixar de correr riscos e perder todas as possibilidades, até as mais incríveis.

O que quero transmitir com esse texto não é que devemos nos achar super heróis e sair enfrentando todos os nossos medos e se achar o invencível. Isso não seria nem um pouco razoável. É justamente o oposto a isso: todos nós somos seres humanos, complexos e frágeis, todos temos nossos limites e a vida é imprevisível.

Lidar com nossos medos não significa se tornar o Chuck Norris. É apenas um caminho para se conhecer melhor, se permitir novas tentativas, se movimentar e evoluir. Eu não tenho dúvida que alguns medos me acompanharão pelo resto da minha vida, mas hoje também sei analisar três coisas:

A primeira : é possível parar e identificar que tipo de medo eu estou sentindo, isso é um medo (positivo) ou (negativo)? .

A segunda é: analisar qual a consequência de eu manter ele comigo, o que ele me impossibilitara de ser ou realizar?

E a terceira, mas não menos importante é: aprender a conviver com ele ou saber supera-ló

Confesso que o medo de errar e do desconhecido muitas vezes já me paralisou e me impediu de mostrar muitas coisas que sei fazer. No entanto, estou aqui escrevendo esse texto com medo de que ele não seja bom o bastante. Faço isso com todas as minhas dificuldades, mas faço isso também muito tranquilo porque já descobri que o problema não está em errar, afinal de contas descobri que o errar é uma maneira de se descobrir. O que importa mesmo é o tipo de desafio que esse medo lhe proporciona. Não se trata de sair por ai igual a um maluco correndo riscos desnecessários, mas saber lidar com o medo, representa nos abrirmos ao mundo e às muitas possibilidades de transformação que ele nos dá.

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Imagem de Disney e Bedneyimages / Freepik
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